terça-feira, 27 de outubro de 2009

Viajei part.1



Por que sentimos necessidade de viajar, de explorar o que ainda não foi explorado?
Não será eu quem desvendará este mistério, mas vou ajudar a contribuir para quebra-lo. Vou contar a vocês a desventura que foi viajar 8 horas dentro de um carro, o tédio da hospedagem involuntária, e os mistérios e fracassos de viajar mais 8 horas dentro de um ônibus.

Tudo começou quando meus pais resolveram me despachar de casa por alguns dias, mas essa ideia não partiu deles, apesar de terem vontade. A oportunidade surgiu quando meu pai carente de mim resolveu convidar-me para passar um tempo com ele em Laguna – SC a terra da Anita Garibalde, minha mãe que não é boba nem nada achou a ideia maravilhosa. Então lá fui eu fazer as minhas malas, uma mochila com 3 cuecas, 4 camisetas, 2 calças, 3 bermudas e uma toalha, nossa que gigante. Além das roupas decidi levar dois livros para passar o tempo mais rápido, então peguei O guia do mochileiro das galaxias, nunca deixe a sua terra sem ele, e uma coletânea de contos de Edgar A. Poe. Depois de 2 horas esperando a minha carona chegar para enfim partir e começar a viagem.


As primeiras horas da viagem foi do meu pai falando “E as namoradas?” “já tinha viajado para SC?” “Essa é a estrada tal, já tinha passado por ela?” com uma série de respostas minha como:
“aham, tá, é mesmo?”. Cinco horas de viajem ele decide parar para tomar e comer algo. Entramos em uma espécie de mini mercado com fruteira e restaurante, todos te chamavam de jovem, até quem era visivelmente mais jovem que você! Comemos, bebemos e pegamos a estrada. Foi a segunda e ultima parte da viajem que começou a cagar tudo:
Velocidade 80Km/h, 23 horas, todos cansados(na verdade a maioria dormindo). O Pai desvia o olhar da estrada e pergunta para a sua mulher:
– Esquerda ou direita?- Nisso estávamos nos aproximando mais e mais da bifurcação. Ela no alto de sua inteligência responde:
– Como é que eu vou saber?- Nisso a merda já estava feita, entramos canteiro a dentro, pneu furou, criança acordou, um caos.
Saiu eu, com minha toalha, e meu querido, nesse momento mais odiado do que amado, pai para averiguar os danos causados pela distração e falta de informação dele mesmo. Olhando pra lá, olhando pra cá ele resolveu se pronunciar:
– E agora?- Olhei bem para o rosto dele com uma expressão de desgosto misturada com raiva
– Agora nós pegamos o macaco e trocamos o pneu, não é obvio?- Nisso ele rio
– É claro que é isso que deveríamos fazer, se o estepe não estivesse furado.- Uma longa pausa foi dada, um olhar de fúria foi trocado. Tudo que eu consegui, e pude, fazer foi voltar pro carro e pegar o celular para que ligássemos para algum guincho. A nossa sorte foi que arressem havíamos passado o pedágio e o guincho estava por perto. Tudo resolvido pegamos a estrada novamente, que acabou demorando mais do que o esperado. Todo mundo sabe que o nosso querido país incia obras, mas como todos também sabem o nosso amado país demora eternidades para termina-las. Nos últimos quilômetros não passamos de 20Km/h por conta das obras que estavam sendo feitas nas estradas.
Finalmente chegamos. Eu peguei a minha mochila, pus no quarto e já fui dando boa noite a todos, a fim de que entendessem o recado e deixassem eu dormir, e funcionou!
No dia seguinte me obriguei a acordar cedo, para que eles não causassem meu mau humor tentando me acordar. Levantei abri a porta cruzei a sala, a cozinha, sem deixar cair o sorriso amarelo de bom dia meus queridos do rosto, entrei no banheiro, lavei rosto escovei os dentes e fui tomar meu café da manhã. Mais tarde eu resolvi tentar ler um pouco, mas não deu, então fui ver TV com a minha irmã
com a minha irmã, Fernanda, a mais jovem. Assistindo TV quando começa a passar um comercial da vodol, se não me engano, e no comercial mostra uma pessoa passando pomada na virilha de um bebê “macho”. Ela que tem apenas 5 anos de idade arregala os olhos e diz:
– Que nojo!- Diante daquela situação. Sem saber o que fazer ou falar pergunto:
– Por que que nojo Fê?- Ela sem prestar muita atenção na minha pergunta continua:
– Ele não tem aquele negocio rosa embaixo.-Foi isso mesmo o que eu pensei(hã?!?!?!)
– Só tem essa bola com uma pelanca em cima!


--Continua--



O abraço



Minha vida era a arte de todos os tipos. A capacidade do ser humano de expressar o sentimento através da arte mesmo nos dias de hoje me fascina.
A vida é uma dadiva que só e dada apreço quando estamos prestes a perde-la, hoje eu dou valor a um belo pôr-do-sol, a luz batendo no trigo dourado, é de animar qualquer um.

Comecei a dar valor a isso tudo quando conheci Rodjer, um maestro de música erudita. Com ele conheci o melhor da noite, lugares que nunca imaginaria que existisse, com pessoas que nunca ousaria encontrar, que se provaram melhores do que imaginava.

Certa noite ele decidiu levar-me para um bar, o John's. Quando entramos fomos direto para o elevador onde havia apenas dois andares, que não eram identificados por número e sim pelos nomes:

Heaven(para subir) e Hell(para descer).



Ele apertou o Heaven. Disse que o hell tinha muita anarquia, não oferecia nada para pessoas de classe como nós. Subimos. Quando saímos do elevador entramos naquele lugar, era muito limpo, todas as pessoas bem arrumadas, no fundo tocava uma musíca linda com uma métrica perfeita como eu nunca ouvira antes. Sentados, ele pediu uma bebida na qual não identifiquei o nome, e nem em que idioma ele pediu. Depois de quase duas horas conversando sobre seus concertos e meu trabalho ele disse que havia algo que gostaria de me dar, assim como foi dado a ele. Então o segui até uma das salas onde havia um piano, criado mudo e um sofá. Ele entrou, sentou-se ao piano, fintou uma musica e disse:
– Me diga Peter você quer ouvir uma obra inédita?
Confirmei com a cabeça. Então começou, cada movimento, cada nota, tudo na musica era perfeito, uma sensação me tomou, era como se eu tivesse sentindo cada centímetro da sala. A musica havia terminado e nem havia percebido. Sentado ao meu lado perguntou:
– Sabe quanto tempo demorei para compor esta melodia?- uma breve pausa de silêncio.
– Cinco anos?- ele deu um sorriso e instantaneamente corrigiu:
– Foram trezentos e cinquenta anos para compor o ato que você acabou de ouvir.- Dei uma risada, mas ele tinha uma expressão séria:
– Co..como assim trezentos e cinquenta anos? Ninguém vive tanto tempo.- Com um olhar tão penetrante, quase hipnotizante:
– Você esta certo, ninguém vive por trezentos e cinquenta anos, mas existe.- Ele disse isso expressando um sorriso irônico.
– O quê? Você esta querendo me dizer que existe a mais de trezentos e cinquenta anos?
– Não meu caro Peter, o que estou querendo dizer é que fui liberto da morte a mais de quatrocentos anos, e quero liberta-lo também.
Houve uma grande pausa, fiquei boquiaberto, não sabia o que dizer diante de tanta maluquice.
– O que me diz?- insistiu
– O que te digo? Digo que isso tudo é no minimo efeito dessa sua bebida! Como pode falar algo assim?- levantei e fui em direção ao elevador- Todo gênio é maluco, só pode!- falei sozinho.
Atravessando o salão, ele parou na minha frente:
– Olha em volta - olhei devagar para o lado onde estavam as mesas, haviam pessoas que sugavam pulsos, pessoas com a boca no pescoço das outras.
– Por favor, você não sabe o quanto foi difícil conseguir permissão para isso!- ele segurou meus braços. - Eu quero eternizar você, mas quero ter a sua permissão.- ele olhava para mim, senti o ar pesado, meu coração estava acelerado. Todos no recinto estavam olhando para nós. Olhei para ele durante alguns instantes.

Desde então apenas louvo o sol se por, o brilho do trigo, por fotos.

Vinicius Machado