O patrão conversava com seus capangas. Deu-me um olhar seguido de um gesto com a mão, insinuando que esperasse uma ordem. Enquanto esperava fiquei fitando Gisele que, no outro lado da Hell's, trabalhava servindo coquetéis e aturando bêbados que, em uma vã esperança tentavam a xavecar, sem nenhum sucesso. Ela percebendo meu olhar expressou um sorriso singelo.
Apesar de tudo ver ela me conforta.
Após 30 minutos de espera finalmente Sr. Fernandes volta sua atenção à mim. “Eduardo, quero que leve Gisele até a sala de vigilância.” disse em tom sério.
Por mais que fosse errado era justificável os motivos, eram tempos difíceis tanto pra ela, quanto para qualquer um.
Fui em direção ao balcão onde Gisele estava “Gisele, o Sr. Fernandes quer falar com você na sala de vigilância.”, reportei a ela, com o tom mais amigável possível. Ela limpou as mãos em um pano, saiu de traz do balcão ficando assim ao meu lado ”Tudo bem. Vamos?” disse sorrindo. Um sorriso que contagiava, como só ela conseguia fazer.
Minha culpa, foi tudo minha culpa! Poderia ter impedido.
Se eu prestasse atenção aos sinais poderia ter evitado tudo! Ela não merecia isso.
Ele nem exitou, como pode ter sido tão frio.
“Senhor, meus filhos precis...” ele pôs sua arma calibre 38 sobre a mesa sem tirar os olhos de Gisele. Ela começou a lacrimejar “continua!” ele gritou. Gisele agora soluçava. Tentava se explicar “ Precisavam de remédios.” ela pôs a mão no rosto tentando abafar seu pranto. Eu não estava entendendo nada. “Remédios” falou quase como se fosse para si próprio “Você é uma viciada!” ele segurou a arma apontando para a testa dela. Meu coração estava disparado, não sabia o que fazer.”Sua ladra inútil!” ele disse junto com o estrondo da arma.
Vinicius Machado.



